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uma caixinha de lembranças aberta em um blog de histórias: leia as curtas, os esquetes, de uma só vez ou o começo, o meio e o fim

O dia em que decidi virar cantora – Meio fevereiro 15, 2010

Filed under: Meio — Denize Guedes @ 3:56 pm
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Aconteceu lendo o jornal. Estava lá, você entre os cantores mais admirados do ano. Melhor [quer dizer, senti como se fosse ‘pior’], você era o segundo mais admirado. Engoli seco e arrisquei um dedilhado imaginário no ar, dos acordes que você me ensinou a tocar. Pude ouvir o som, que se misturou à batida acelerada do meu coração assimilando a notícia e ao estrondo do meu corpo em queda livre na cadeira da mesa da copa.

Eu sei que isso tudo está parecendo um pouco melodramático e triste demais. Que se dane. Eu sou melodramática e triste demais. Foi por isso que me apaixonei por um músico e foi por isso que quis virar cantora. Artistas são melodramáticos e tristes. É tipo pré-requisito, como ter de saber falar inglês quando se aplica para uma bolsa de estudos em Londres ou Nova York, por exemplo. Tem de se ser triste. E eu era. Triste e medrosa, para ser honesta.

Mas, de alguma forma, conheci algo que parecia ser coragem lendo aquela  notícia no jornal. O dedilhado insistia em tocar o ar e a se misturar com os sons do mundo e os da minha cabeça. A vontade de pegar o violão e tocar aquela música que você me apresentou no dia do fim. “A vida é desfazer nós, nós de nós mesmos. A linha da vida fica maior, se você consegue tirar os nós…”. Era de uma cantora pernambucana, Lulina, acho. Casava tão certinho com o jeito que estava me sentindo. Diante do nó. Eu sabia o que queria ser. Só ainda não tinha conhecido coragem para ser. Até ali.

O tempo passou e parece que eu fui conseguindo encontrar o fio da meada e ir desfazendo cada nózinho do caminho. Acho que você continuou sendo um dos cantores mais admirados do país. Com alguém ao seu lado. Bom, eu é que não fui, ocupada que estava desatando nós – e não me refiro ao entrelaçamento de fios, mas ao da gente. Você entendeu.

Naquele dia, do jornal, me filmei cantando a única música que sabia. Hoje, cantei com um grupo de amigos a música que nos separou. Estou no meu caminho para ser quem quero. E eu nem me filmei, alguém fez isso por mim.

Apertei o pause.

(continua)

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Leia o Começo

Leia o Fim

 

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