“Alguém já disse que não realizamos nossos sonhos porque temos medo de fracassar. Ou, pior, porque temos medo do sucesso.” Foi o que ouvi em um filme que passou na TV a cabo, “Encontrando Forrester”, acho. Uma história sobre um escritor que não escreveu mais nenhuma obra após a sua primeira e um garoto que deseja ser escritor. Um transforma a vida do outro. O garoto segue seu caminho. O escritor escreve de volta. (mais…)
NaBloPoMo Day 15 – Casa – Fim dezembro 15, 2009
A sky full of silent suns II, upload feito originalmente por i.Anton.
Bella
Eu sempre buscava o mar quando precisava me acalmar. Não tinha uma explicação objetiva, aquele barulho da água simplesmente funcionava como meu divã, meu interlocutor em silêncio. Conheci você num momento desses, de ondas de aflição no estômago. E não seu se foi o mar ou você, mas naquele dia consegui baixar a guarda, deixar o medo boiando do lado de fora. Depois, deixei até você entrar para a minha vida. (mais…)
Este palhaço é meu pai – Fim agosto 21, 2009
Conhecido de profissionais de imprensa também já ficou. Um deles, editor do site Jornalirismo, Guilherme Azevedo, o convidou para ser entrevistado em uma das aulas do curso de Jornalismo Literário que conduz. Outro, um fotógrafo da “Folha”, foi cobrir uma escultura de gelo colocada em frente ao parque Trianon, na Paulista, por conta de uma campanha de conscientização contra o aquecimento global, e clicou o seu Amaury que andava por lá – como era de se esperar. Anotou o gmail do meu pai e mandou umas três fotos no mesmo dia. Eu soube através de uma ligação exultante. (mais…)
Avia, menina! – Fim julho 30, 2009
Bolei um plano e passei a buscar água na cozinha, só para parar como filha que não quer nada no meio do caminho, de frente para a sua poltrona da tv, na qual ainda hoje reina religiosamente a partir das seis da tarde.
Isso já tem um bocado de tempo.
O lance era dar o bote de um abraço apertado e demorado, sem respeitar os intervalos do programa que estivesse assistindo. “Que chamego é esse, menina? Sai, sai, sai que tô vendo a novela. Avia”. (mais…)
A menina que lia placas – Fim julho 15, 2009
(leia o começo, o meio 1 e o meio 2)
– Você está muito bonita – disse Bernardo, encostado junto à porta, mãos no bolso da calça jeans, fazendo rugas na camisa de malha verde que caía sobre o quadril.
– É mesmo? Obrigada. Escolhi uma roupa que estava assim mais à mão – disse estendendo a cortina de musseline como se examinasse alguma coisa, olhando-o por sobre o ombro esquerdo. – Você também não está nada mal.
– Obrigado, estou fazendo natação de segunda e quarta. Fui hoje cedo.
– É? Bem que se sente um perfume gostoso de banho – sorrindo.
Nesta hora, o ajudante deu falta de uma broca para a furadeira e desceu para buscá-la na van da empresa.
– Soube que você se casou – Clara foi logo dizendo, sentia-se com vontade de espreguiçar, talvez como as borboletas quando estão prontas.
– É verdade. Faz uns meses.
– Natália, ouvi dizer – finalmente o encarando (mais…)
Sobre sangue, veias e aldeias – Fim julho 8, 2009
– Pois não, senhor? – disse o garçom.
– Sabe, rapaz, uma vez, aconteceu uma coisa muito triste. Conhece maritaca? – olhando para a cara do pobre que se esforçava em encontrar sentido naquilo. – É o seguinte, eu trabalhei durante seis anos em um lugar, onde fui muito feliz. Muito feliz mesmo. Mas, sabe, no final, uma família de maritacas ficou sem casa. Virou sem-teto a família de maritacas, acredita? – disse, com a pronúncia típica nos “erres” e “esses” de quem já passou das três caipirinhas. (mais…)
Paddy’s little box, ou Carrego-te comigo – Fim julho 1, 2009
A gente chegou juntos à tal da Fly e logo aprendi a minha primeira palavra em gaélico, idioma celta ainda falado por muita gente na Irlanda. Slantcha!, assim mesmo, com exclamação no final. Foi Keith quem ensinou, bem na hora em que chocou o seu copo de pint contra o meu e o do Patrick. Com a pronúncia de um Daniel Day-Lewis em “Em nome do pai”, explicou que queria dizer cheers e quebrou o galho de quebrar o nosso gelo, meu e do Patrick. Acho que foi de propósito, ele deu uma piscadinha para mim antes de desaparecer com o copo para o alto, entre o pessoal que dançava na pista.
– Tim tim! – eu disse tocando o meu copo no do Patrick. – Em português, a gente fala tim tim para isso. Como o nome do cachorro daquele seriado, sabe? – dando uns goles na minha Guinness. (mais…)


