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uma caixinha de lembranças aberta em um blog de histórias: leia as curtas, os esquetes, de uma só vez ou o começo, o meio e o fim

O dia em que decidi virar cantora – Começo fevereiro 12, 2010

Filed under: Começo — Denize Guedes @ 8:45 pm
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Nunca acreditei em metas de vida. Sempre fui dada à fraqueza de quem não se acha a altura do próprio sonho. Nunca e sempre, aliás, velhos companheiros de caminho, feito as faces da moeda que atiro para cima, passo sim passo não, na esperança da cara ou coroa que vai decidir o destino por mim. “Nunca vou ser cantora. Então, ok, moça, continue se direcionando todos os dias para o escritório.” “Sempre vou cantar só no chuveiro. Então, tá, menina, enxagua logo esse cabelo e corre pra não se atrasar.” Apesar de nunca e sempre estarem dando na mesma comigo – e antes que isso tudo fique neurolinguístico demais e distante do título –, sim, hoje foi o dia em que decidi virar cantora.

Pois é. Em pleno Valentine’s Day, peguei uma câmera mini dv (mais…)

 

NaBloPoMo Day 11 – Casa – Começo dezembro 11, 2009

Filed under: Começo,NaBloPoMo Dec 09 — Denize Guedes @ 8:41 pm
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, upload feito originalmente por eros turannos.

Bella

Foi no dia em que cortei o cabelo. Eu com a cabeça deitada sobre seu peito, minha mão direita na sua, bem depois do elogio aos meus ex-cabelos compridos. “Gosto das suas unhas vermelhas também”, levando meus dedos à sua boca para enfatizar. Explodi fogos de artifício dentro de mim, você deve ter sentido de eu sorrir, a bochecha fazendo pressão contra o seu peito mais o barulhinho do riso. Cessados os fogos, prometi internamente continuar a usar vermelho nas mãos, mesmo a gente parando de se ver. (mais…)

 

Este palhaço é meu pai – Começo agosto 19, 2009

Filed under: Começo — Denize Guedes @ 1:41 pm
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No princípio, ele era da manutenção. “Entelamento”, especifica com voz relevante.  Palavra pouco usada, tive de recorrer ao Google para entender que nesse setor ele cuidava de reparar as telas dos lemes e profundores dos aviões. Ficou pouco lá, logo acabaram com a função e ele foi procurar um curso de telegrafista com a ideia firme de integrar a equipe de terra. Junto, tratou de frequentar a estação de rádio como ouvinte e de ficar bem de olho nos teletipos que informavam número de passageiros, horários e boletins meteorológicos aos comandantes. Quando conseguiu o posto, não tardou o dia em que informatizaram a área. Pensou rápido e deu um jeito de se encaixar como radiotelegrafista de vôo – foi assim que primeiro voou e também sofreu seu único acidente. (mais…)

 

Avia, menina! – Começo julho 27, 2009

Filed under: Começo — Denize Guedes @ 11:48 pm
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Minha mãe é pessoa diversa. [Eu poderia dar tantas voltas e revelar que este texto é sobre ela apenas na última frase. Mas, não, mãe é assunto sério, delicado, complexo. E quero deixar claro que é ela que desenho nesta tela desde já. Mais por declaração, menos por malabarismo. Mais por amor, menos por qualquer sorte de rancor. De peito aberto, abro todas as minhas alas, que agora é mesmo dela que quero falar.]

Ela é um forte de emoções, não importa seu menos de metro e meio. E eu achava que era tudo igual. Mas, não. [Incrível como colocamos o nariz para fora do mito da caverna de cada um quando entramos na escola.] (mais…)

 

A menina que lia placas – Começo julho 11, 2009

Filed under: Começo — Denize Guedes @ 9:10 pm
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ceu_azul_ok

Clara era apegada a pequenos hábitos. Era assim desde criança, devia ter a ver com o seu jeito de lidar com o mundo. Sua primeira recordação de um desses atos flagrados data de um almoço depois da escola, quando contava dez anos ou menos.

Foi com a naturalidade de quem se serve de um pouco mais de arroz que afastou o cabo da concha de feijão preto, deixando-o uns 45º mais à direita em relação ao seu lugar na mesa. Falou que não gostava de coisas apontado em sua direção.

– O que é isso, menina? Larga de superstição – disse a mãe, colocando um bife acebolado em seu prato, enquanto catava mais cebolas a falar que aquilo era uma imensa bobagem. – Imagine, o que tem a concha a ver?

Buscou amparo no pai, que mastigava faminto a maionese de batata, para depois pousar o olhar no céu através da janela. (mais…)

 

Sobre sangue, veias e aldeias – Começo julho 7, 2009

Filed under: Começo — Denize Guedes @ 12:29 pm
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C.P. estava preocupado e entrou no bar daquele hotel de Brasília decidido a apenas consumir um suco e um sanduíche leve. Era quase meia-noite, não havia jantado, mas também não ousava pensar em deitar com a barriga cheia.

Percorria o salão apenas ocupado em garantir que todas as suas forças o acompanhassem amanhã cedo na audiência. O que não estava sendo um acerto fácil: elas barganhavam um descanso desde o elevador, logo após o telefonema de duas horas com a advogada. E C.P. não parecia dar o menor sinal de trégua.

Nem se deu conta da mesa que escolheu. (mais…)

 

Paddy’s little box, ou Carrego-te comigo – Começo junho 22, 2009

Filed under: Começo — Denize Guedes @ 1:01 am
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O nosso ônibuzinho verde e laranja já tinha atravessado feliz os limites de Dublin quando o guia – e motorista – recebeu um telefonema pedindo para voltar. Sem deixar de mostrar seu desapontamento fanfarrão, Keith avisou aos passageiros.

– Galera, mudança brusca de planos. Vamos dar meia volta e não vai ter mais viagem para o Norte da Irlanda nem para a Irlanda do Norte p**** nenhuma hoje. Talvez amanhã. Ou depois. É, a vida tem desses imprevistos… Chegando lá, só sei que vou pro pub. Quem quiser, vem comigo. (mais…)

 

 
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