Solidão partiu e agora eu acordei cedo. Foi-se embora junto o medo, escorraçado com um piparote da ponta do dedo, cansado de tanto aconchego. Chorei tanto que meu cabelo cresceu, cachos se formaram. Enciumados da ausência dos seus? Seus, troca o “esse” por “de” e fica deus. Adeus. Ah, Deus. Deus me livre, livre e guarde de sofrer assim. Entendi que viver sem você até que não é ruim. Não há mais razão para ficar em pause na cama. Cama vazia, estranhando o toque frio do lençol de cama do seu lado da cama.
Não há mais lamento nem lama nem um par que se ama. Há espaço para o novo, que vai nascer da quebra da casca do ovo, de um suspiro e de um assombro. Quem sabe eu não me trombo, com você e ela, você me dando uma espiadela por detrás do ombro. E quem tiver do seu lado da cama agora lhe dê uma encarada boa e você perceba o grande trouxa… que é. Pois é, acordei e dei play cedo, pensamentos acho que ainda não estão de pé.

