Ele não queria voar. Era cedo demais, estava frio, ar de madrugada, ar de ninguém estar na rua às cinco da manhã. Mas, era trabalho, ele tinha sido destacado para cobrir o evento em Gramado, lá na serra do Rio Grande do Sul. Nem levou em conta o medo do avião não se sustentar no ar, com os solavancos que deu, quando se viu naquela cidade. Gramado o arrebatou e o remeteu à Europa. (mais…)
Moinhando – De uma só vez abril 13, 2010
Moinho me lembra D. Quixote, que me lembra Cervantes, que me lembra Espanha, que me lembra flamenco e tourada. Olé. Moinho me lembra gigante, que me lembra Golias, que me lembra Davi, que me lembra o meu amigo e o sonho que tive com ele noite passada. Moinho me lembra vento, que me lembra uma canção, que não consigo lembrar de quem é. Moinho me lembra Sul, que me lembra o Rio Grande do Sul, que puxa chimarrão e mate. Moinho me lembra prado e alguma coisa como relva, uma plantação de trigo, que me lembra o cabelo do Pequeno Príncipe. Moinho é bonito, bonito é agradável, agradável dá prazer. Moinho, vou indo, tomo vinho, pequenininho, ninho, passarinho, quatrino, albino, sabino, menino, bonito, moinho.
Sonhos guardados – Curta abril 2, 2010
Estava parada diante da parede do quarto. Olhava para um bocado de imagens presas por tachinhas coloridas num mural furreca. Algumas lágrimas já haviam ido parar na camiseta verde, deixando rastros de cosquinha na bochecha. Mexeu no nariz vermelho com o dorso da mão esquerda e fez o que tinha de fazer. Tirou cada tachinha, recolheu cada imagem. Coisas como plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Só que a seu modo. Deixou tudo on hold dentro de uma pasta organizadora. A mudança saiu no dia seguinte.


