A caixinha partiu de mudança para: um livro de cada vez.
Diálogo imaginário – Curta dezembro 12, 2010
- Oi. Eu tava ali do outro lado e te vi, surpreendendo-a na seção dos mais vendidos.
- Oi… nossa.
- Tudo bem?, ele enfiando as mãos em cada bolso da calça jeans desbotada.
- Tudo. E com você?, segurando o livro cuja orelha final estava lendo com a mão esquerda e afastando o cabelo do rosto com as costas do dedo indicador da direita. (mais…)
Sonhos desguardados – Curta novembro 16, 2010
Depois de uma longa passagem dentro de uma pasta organizadora cinza, pós-Virgílio (nome de rua, nunca tive um namorado com este nome de vô), eles voltaram. Estão ali presinhos com durex – algo de direita segundo Antonio Prata - num arremedo de mural da casa dos meus pais. Isso deve significar algo. It’s the beginning of something I guess.
Goodbye – Curta novembro 16, 2010
It’s fucking time! It’s more than time. Time to just say goodbye. The Beatles was playing on your laptop when we met like for the second time. Nothing but The Beatles, the light coming from your note, and the shadow of us in your room. There’re things I just can’t forget. Like that song. Like us. Like the way I felt secure. It was strange back, though. I was the one saying goodbye and you were the one saying hello. Then we changed places. Than we changed places again. And again. And one day you said goodbye like you ment it. And you really ment it. No hellos anymore? No. No matter how long I would wait? No. Even if I felt I could wait like for a life time? Nope. So, after some years now, I guess it’s really time. It’s getting to messy waiting for some hello of yours. I’m getting old and I’m stuck here. Everybody keeps saying me to let this go, for my own sake. And maybe it’s fucking time… For me to accept no more hellos… your hellos towards me are all just retired. Goodbye for good then? Yes. Now? Yes. Can I wait any longer, please? No, now. But it breakes my heart so deeply… For how long you want to be waiting?… Say goodbye, at once. I can’t. You can, say it. I can’t, stop! Say it. No… I don’t know why he say goodbye, I say hello… hello, goodbye, hello, goodbye, hello, goodbye. Goodbye.
Era para eu conseguir não mais chorar – Curta novembro 15, 2010
A primeira vez foi horrível. Daqueles choros com respiração incostante e escandalosa. De embotar a vista e não conseguir enxergar direito. De dar pausas para pensar e recomeçar mais forte. De sentir que, no dia seguinte, o rosto iria estar como se tivesse levado socos em cada um dos olhos. De sentir que, no dia seguinte, iria sofrer de dor de cabeça – de ressaca de tanto chorar.
A segunda vez foi péssima. Daqueles choros de doer as cordas vocais de tanto gritar. De ter de pegar o carro e sair guiando pela cidade de madrugada, quando uns dormem e outros sofrem em paz. De perder as estribeiras do perigo e não temer o farol vermelho de cruzamento agitado que se resolve atravessar para ver se dói menos. De não querer ter amanhã porque amanhã seria chorar de novo – só que sem voz.
A terceira vez foi ruim. Daqueles choros de ir para casa correndo, entrar, fechar a porta numa batida, encostar-me nela e ir escorregando até me abraçar com os joelhos. De sentir a calça ir ficando molhada de estar contra o meu rosto. De só ter forças para continuar chorando. De só conseguir esboçar um sorriso ao imaginar o que será que o Dog estaria achando do gosto das gotas que corriam pela minha bochecha.
A quarta vez foi regular. Daqueles choros de estar com a mão segurando o queixo e sentir a lágrima passar, sem mexer, sem triscar. De ficar quieta, com a respiração normal, com o olhar inerte, com a paciência de torcer aquele pano úmido de você dentro de mim para ver se uma hora ele seca. De respeiar o tempo do choro, de achar que era uma forma de continuar lavando você de dentro de mim.
A quinta vez, hoje, simplesmente foi. Só que sem choro.
Dúvida: (mais…)
Acordei cedo – Curta setembro 7, 2010
Solidão partiu e agora eu acordei cedo. Foi-se embora junto o medo, escorraçado com um piparote da ponta do dedo, cansado de tanto aconchego. Chorei tanto que meu cabelo cresceu, cachos se formaram. Enciumados da ausência dos seus? Seus, troca o “esse” por “de” e fica deus. Adeus. Ah, Deus. Deus me livre, livre e guarde de sofrer assim. Entendi que viver sem você até que não é ruim. Não há mais razão para ficar em pause na cama. Cama vazia, estranhando o toque frio do lençol de cama do seu lado da cama.
Não há mais lamento nem lama nem um par que se ama. Há espaço para o novo, que vai nascer da quebra da casca do ovo, de um suspiro e de um assombro. Quem sabe eu não me trombo, com você e ela, você me dando uma espiadela por detrás do ombro. E quem tiver do seu lado da cama agora lhe dê uma encarada boa e você perceba o grande trouxa… que é. Pois é, acordei e dei play cedo, pensamentos acho que ainda não estão de pé.
Aos 30 anos, dei reset na minha vida* – De uma só vez agosto 16, 2010
Aos 06 anos, brincava de Mulher Maravilha, escrevia bilhetinhos para as bonecas (respondia-os de volta) e tinha medo de dormir no escuro. Uma lampadinha em forma de Barney fazia companhia madrugada adentro. Às vezes, acordava e via sombras de monstros narigudos na parede. Corria para o quarto do pá e da mã, encontrava um lugar seguro no meio deles e dormia ouvindo roncos.
Aos 10 anos, fazia trabalhos da escola na máquina de escrever que o pá e a mã deram. Aprendia onde cada letra morava e treinava os dedos a baterem nas portas certas – sob o risco do Liquid Paper ter de entrar em ação caso o ‘esse’ saísse no lugar do ‘de’, um exemplo. Assistia aos filmes do Super Homem e gostava das cenas dele no “Planeta Diário” com a Lois Lane.
Aos 12 anos, à noite, sentava de índio no pé da tv, não mexia um músculo sequer (mais…)
Lampião e Maria Bonita – curta julho 18, 2010
Faz frio, muito frio. Orelhas geladas, bom ter alguém para esquentar, se enrolar com o cobertor. Da luz gelada do lap, que (mal) ilunina o quarto, saem cenas que lembram filme antigo, no meio do mato, um casal. Sinapses tronchas desaguam em Lampião e Maria Bonita, o casal 20 do cangaço. A música já tem um quê de anos 50. E o nosso sono já é grande. Olhos fecham sem saber se os bandidos vão conseguir se encontrar. Orelhas quentinhas pegam no sono torcendo que sim.
Como vai você? – Curta junho 2, 2010
Hoje eu te vi em algumas bancas de jornal. Tava lá, na capa de uma revista que insiste em ficar na vista de todo passante desta cidade. Fiquei feliz por você. Mas não te levei para casa. Impressionante como ainda não consigo… Fui eu sozinha. Com meus pensamentos.
Vidas que voam – de uma só vez abril 25, 2010
Ele não queria voar. Era cedo demais, estava frio, ar de madrugada, ar de ninguém estar na rua às cinco da manhã. Mas, era trabalho, ele tinha sido destacado para cobrir o evento em Gramado, lá na serra do Rio Grande do Sul. Nem levou em conta o medo do avião não se sustentar no ar, com os solavancos que deu, quando se viu naquela cidade. Gramado o arrebatou e o remeteu à Europa. (mais…)


